domingo, 9 de junho de 2013

Coincidências? / Coincidences?




Às vezes acontecem coisas em nossas vidas que nos fazem pensar qual é o motivo por trás de tais fatos.

Meu avô Walter foi pastor da Igreja Metodista em Santa Rita do Passa Quatro e Pirassununga, por volta de 1914. Um dia ele ouviu um ruído e olhando pela janela viu um garotinho atirando pedras na pequena igreja.

Saindo de casa, que ficava ao lado da igreja, perguntou ao garoto, com seu forte sotaque americano e o mais severo olhar em seus penetrantes olhos azuis: _ Porque está atirando pedras na igreja?

O garotinho, assustado, respondeu: _ Eu ouvi dizer que esta é a casa do Diabo.

Meu avô respondeu: _ Não, quem disse isso está enganado, esta é a casa de Deus. Venha ver. Segurando o menino pela mão, levou-o para a igreja e mostrou o salão simples, com um pequeno órgão de pedal e um púlpito em cima do qual havia uma Bíblia.

_ Neste órgão minha esposa toca lindos hinos, nós cantamos, lemos a palavra de Deus, oramos e depois eu falo às pessoas sobre o amor de Deus. Minha esposa conta lindas histórias sobre Jesus. Venha conhecê-la.

Chegando na cozinha, lá estava minha avó Elizabeth, com seus longos cabelos brancos como a neve presos em um belo coque de tranças. Ele perguntou: _ Lizzie, você tem aí algumas bolachas para um menino faminto?

Logo ela trouxe um prato com seus famosos “cookies”, acompanhados por um copo de leite gelado. _ Volte no domingo de manhã, para ouvir histórias sobre Jesus, disse ela.

No domingo, lá estava ele, acompanhado por dois amiguinhos. Nunca mais jogou pedras nem faltou à Escola Dominical. Estudou, sempre recebendo apoio do meu avô, até se tornar um pastor metodista.

Essa é a primeira parte da história. Anos depois, estudei durante um ano no Colégio Piracicabano. Uma escola bonita, imponente, de tijolos aparentes, com colunas altas pintadas de branco. O pátio onde tínhamos nosso recreio, era ladeado por altas nogueiras pekan que minha avó tinha plantado. Minha melhor amiga se chamava Míriam e também era do interior do estado. Como eu não quis continuar a estudar lá, por sentir muita saudade dos meus pais e irmãos, voltei para São João da Boa Vista e perdi o contato com minha amiga.

Em 1977 eu me mudei de São Paulo para Campinas e logo comecei a dar aulas de inglês no Centro Cultural. Como eu gostava de lecionar lá! Colegas muito simpáticos e amigos, uma diretora muito amável e gentil. Algum tempo depois fui convidada a trabalhar como secretária bilíngue em uma multinacional, aceitei o convite e continuei a lecionar duas vezes por semana, à noite. Meu pai havia falecido, mas minha mãe me ajudou muito, tomando conta das crianças, que eram bem pequenas, com três e cinco anos.

Um dia eu estava trabalhando quando um colega chegou até minha mesa e disse: _ Há uma pessoa que gostaria de falar com você. Estranhei um pouco, quem seria? Pedi que ele a trouxesse até minha sala. Qual não foi minha surpresa quando minha amiga de infância Míriam veio em minha direção!

Mas... como ela me encontrou? Acontece que minha prima se casou com o primo dela, e numa conversa em uma reunião familiar surgiu meu nome e a informação que eu morava e trabalhava em Campinas, onde ela também morava. Outra coincidência: ela se casara com um conhecido arquiteto, que era... filho do garotinho da primeira parte da história! Algum tempo depois, ela deu aulas de iniciação musical aos meus dois filhos. Mundo pequeno...

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Sometimes things happen in our lives that make us think what is the reason behind those facts.

My grandfather Walter was pastor of the Methodist Church in Santa Rita do Passa Quatro and Pirassununga, around 1914. One day he hear a noise and looking out the window saw a small boy throwing stones at the little church.

Going out of the house, which was just beside the church, he asked the boy, with his strong American accent and the most severe withering look from his penetrating blue eyes: _ Why are you throwing stones at the church?

The little boy, scared, answered: _ I heard that this is the house of the Devil.

My grandfather replied: _ No, who said that is mistaken, this is the house of the Lord. Come and see. Holding the boy's hand he led him to the church and showed the simple meeting place, with a small pump organ and a pulpit with a Bible on top.

_ My wife plays beautiful hymns on this organ, we sing, read the word of God, pray and then I tell people about the love of God. My wife tells beautiful stories about Jesus. Come and meet her.

When they went into the kitchen, there was my grandmother Elizabeth, with her long hair up, white as snow, in a pretty braided bun. He asked: _ Lizzie, do have some cookies for a hungry boy?

Soon she brought a plate with her famous cookies with a glass of cold milk.
_ Come back on Sunday morning, to hear stories about Jesus, she said.

On Sunday there he was, together with two little friends. He never threw stones at the church again or missed Sunday School. He studied, always receiving my grandfather's support, until he became a methodist pastor.

This is the first part of the story. Years later, I studied for one year at the Colégio Piracicabano. A beautiful school, imposing, built with red bricks, with tall white columns. The patio where we had our break was flanked by tall pekan trees that my grandmother had planted. My best friend was called Miriam and also came from the interior of the state. As I did not want to continue studying there, because I missed my parents, brothers and sister, I went back to São João da Boa Vista and lost contact with my friend.

In 1977 I moved from São Paulo to Campinas and soon began to teach English at Centro Cultural, a binational center. How I enjoyed teaching there! The teachers were very nice and friendly, the director very gentle and kind. Some time later I was invited to work as bilingual secretary at a multinational, accepted the invitation and continued to teach twice a week. My father had died but my mother helped me a lot, taking care of the children who were very small, three and five years old.

One day I was working when a friend came to my desk and said: _ There is someone who wants to see you. I thought that was strange, who could that be? I asked him to show her to my office. How surprised was I when my childhood friend Miriam walked in my direction!

But... how did she find me? It so happens that my cousin married her cousin, and in a conversation during a family reunion my name came up, as well as the information that I was living and working in Campinas, where she also lived. Another coincidence: she married a well-known architect, who was... the son of the little boy in the first part of the story! Some time later, she taught musical initiation classes to my two kids. Small world...


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