Nasci
em Campinas, mas nos primeiros dois anos de vida morei em Franca,
onde nasceram meus irmãos Ellen e Clóvis.
Como
meu pai era bancário, era transferido para outras cidades de tempos
em tempos, para assumir novas funções. Em 1944 foi promovido a
contador e fomos morar em Piracicaba, em uma chácara na Estrada do
Vergueiro. Era um paraíso! Eu me lembro como se fosse hoje das
galinhas d'Angola pintadas de branco e preto gritando “tô fraco!
tô fraco!” Tínhamos também alguns patos e me encantava vê-los
nadando em um pequeno lago. Quando nasciam patinhos eu gostava de
segurar aquelas bolinhas amarelas, tão fofinhas!
Uma
vez ganhamos dois coelhos, que nos garantiram ser machos. No dia
seguinte, a surpresa: muitos filhotes na gaiola! Mais um dia, e outra
surpresa: filhotes também na outra gaiola! Um presente um tanto
inconveniente...
Mas
meu animal predileto era um pangaré aposentado de puxar alguma
carroça, que foi logo batizado de Tony, eu achava aquele cavalinho
magnífico. Muitas vezes, com dois anos de idade, eu ia até ele com
minhas pernas curtas e me pendurava na cauda dele, balançando de um
lado para o outro. Acho que ele pressentia que eu era uma criança
sem juízo, porque ficava quietinho esperando que eu acabasse de
brincar e o deixasse em paz.
Já
maiores, ficávamos felizes da vida quando o vovô Sigefredo ia nos
visitar. Ele gostava muito de pescar e deixava que o acompanhássemos.
Minha irmã Ellen não gostava nada de ver os peixinhos se debatendo
e tratava de logo devolvê-los ao Rio Piracicaba! Quando o vovô ia ver
o resultado da pescaria, achava o cestinho vazio...
Uma
vez, levei um grande susto: estava andando pelo quintal, não mais na
chácara, masjá na Rua do Rosário, quando vi que a casa ao lado
estava em chamas. No período da 2a. Guerra Mundial, as pessoas às
vezes armazenavam combustíveis, que eram racionados. A Guerra
acabou, mas os vizinhos ainda tinham gasolina e álcool guardados em
casa. Foi assustador, os tambores explodiam e o líquido escorria para a rua, se incendiando. Mamãe quis que fossemos para a
casa de uma amiga dela. Nós três nos arrumamos,
minha irmã e eu pegamos nossas bonecas e lá fomos nós. Insisti com
minha mãe que fosse também, mas ela estava separando o que deveria
levar, o que deixar para trás. Felizmente, nada se perdeu.
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