Gosto
de contar histórias. Contei muitas, para sobrinhos, filhos e neto,
alunos e amigos... Não sei quem se divertia mais, eu contando ou
eles ouvindo.
Quando
comecei a escrever neste blog, fui colecionando minhas poesias
favoritas, textos interessantes, ensinamentos úteis, em inglês e
português. Não divulguei a existência dele para quase ninguém,
mas depois, pensando em tantas coisas bonitas e interessantes que já
vivi, que muitos dos que me são mais próximos diziam que eu devia
registrar para que as novas gerações pudessem tomar conhecimento
delas, resolvi dar início a uma nova fase: em vez de compartilhar o
que outros escreveram, agora vou colocar aqui minha própria
vivência.
Espero
que gostem!
I – Por que só eu tenho o
sobrenome Davis?
Vou
começar contando como foi o início da nossa família.
Meus
pais se conheceram ainda crianças, na cidade de Santos, onde
moravam. Meus avós maternos eram missionários metodistas. O pastor
da Igreja Metodista de Santos era meu avô, minha avó tocava órgão
e ensinava na Escola Dominical. Essa igreja era frequentada pela
família de meu pai.
Naquele
tempo, os missionários trabalhavam durante sete anos, depois iam de
volta para o país natal por um ano, em “furlough”. Era uma
espécie de férias combinadas com a divulgação do trabalho
realizado, visitas às igrejas e aos familiares.
Minha
mãe foi para os EUA uma vez, quando tinha 5 anos, voltou um ano
depois, ficou no Brasil sete anos e foi novamente para os EUA, desta
vez para estudar em regime de internato na Bethel Academy, em
Wilmore, Kentucky até terminar o ensino médio e depois fazer a
faculdade de enfermagem, estudando em Asbury College e depois
LaGrange College, no estado da Geórgia.
Depois
de ficar por lá durante 8 anos, veio para o Brasil em férias e
acabou não voltando. Meus pais se casaram e foram para Franca, onde
meu pai trabalhava como caixa da agência do Banco do Estado de São
Paulo. Lá nasceram minha irmã Ellen e meu irmão Clóvis. Quando
chegou a época do meu nascimento, minha mãe veio para Campinas,
onde meus avós residiam.
Minha
chegada a este mundo foi dramática. Parto difícil, os médicos e
enfermeiras cuidando de minha mãe, e quando minha avó muito
querida, Elizabeth Davis Borchers, chegou à Maternidade de Campinas,
me encontrou embrulhada num cantinho, chorando. Ela sempre me contava
que cuidou de mim, lá mesmo na maternidade, e que dormi nos braços
dela na primeira noite de minha vida. Em homenagem a ela, recebi o
sobrenome Davis – e meus descendentes também!
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