quinta-feira, 5 de julho de 2012

Por que só eu tenho o sobrenome Davis?


Gosto de contar histórias. Contei muitas, para sobrinhos, filhos e neto, alunos e amigos... Não sei quem se divertia mais, eu contando ou eles ouvindo.

Quando comecei a escrever neste blog, fui colecionando minhas poesias favoritas, textos interessantes, ensinamentos úteis, em inglês e português. Não divulguei a existência dele para quase ninguém, mas depois, pensando em tantas coisas bonitas e interessantes que já vivi, que muitos dos que me são mais próximos diziam que eu devia registrar para que as novas gerações pudessem tomar conhecimento delas, resolvi dar início a uma nova fase: em vez de compartilhar o que outros escreveram, agora vou colocar aqui minha própria vivência.

Espero que gostem!

I – Por que só eu tenho o sobrenome Davis?

Vou começar contando como foi o início da nossa família.

Meus pais se conheceram ainda crianças, na cidade de Santos, onde moravam. Meus avós maternos eram missionários metodistas. O pastor da Igreja Metodista de Santos era meu avô, minha avó tocava órgão e ensinava na Escola Dominical. Essa igreja era frequentada pela família de meu pai.

Naquele tempo, os missionários trabalhavam durante sete anos, depois iam de volta para o país natal por um ano, em “furlough”. Era uma espécie de férias combinadas com a divulgação do trabalho realizado, visitas às igrejas e aos familiares.

Minha mãe foi para os EUA uma vez, quando tinha 5 anos, voltou um ano depois, ficou no Brasil sete anos e foi novamente para os EUA, desta vez para estudar em regime de internato na Bethel Academy, em Wilmore, Kentucky até terminar o ensino médio e depois fazer a faculdade de enfermagem, estudando em Asbury College e depois LaGrange College, no estado da Geórgia.

Depois de ficar por lá durante 8 anos, veio para o Brasil em férias e acabou não voltando. Meus pais se casaram e foram para Franca, onde meu pai trabalhava como caixa da agência do Banco do Estado de São Paulo. Lá nasceram minha irmã Ellen e meu irmão Clóvis. Quando chegou a época do meu nascimento, minha mãe veio para Campinas, onde meus avós residiam.

Minha chegada a este mundo foi dramática. Parto difícil, os médicos e enfermeiras cuidando de minha mãe, e quando minha avó muito querida, Elizabeth Davis Borchers, chegou à Maternidade de Campinas, me encontrou embrulhada num cantinho, chorando. Ela sempre me contava que cuidou de mim, lá mesmo na maternidade, e que dormi nos braços dela na primeira noite de minha vida. Em homenagem a ela, recebi o sobrenome Davis – e meus descendentes também!

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