sábado, 22 de setembro de 2012

Meu irmãozinho sanjoanense



Como aprendi a ler cedo e terminei o primário com 10 anos, não podia me matricular no ginásio até completar 11 anos. Sendo assim, D. Flora, que foi minha professora no quarto ano, sugeriu a meus pais que eu fizesse um ano de preparatório para o exame de admissão.

Depois do exame, acabei indo estudar por um ano no Colégio Piracicabano. Lindo colégio, onde minha avó Elizabeth tinha ensinado antes de se casar e onde tive bons professores e muitas amigas. Duas amigas foram também estudar lá na mesma época. Mas a saudade de casa era muito grande! Cada vez que eu recebia visitas de casa, quando elas iam embora eu chorava o dia inteiro. Pedi para voltar para casa e estudar no colégio estadual, no que fui atendida.

Foi muito bom poder conviver novamente com meus pais e irmãos. Ainda mais que minha prima Gláucia ficou conosco um ano, porque precisava colocar aparelho nos dentes, e um dentista local, o Dr. Renê, era um dos melhores dentistas nesse ramo. Foi muito bom poder passar algum tempo com ela e a outra prima, Marilena, que às vezes vinha ver a irmã e nos visitar.

Nesse ano, uma novidade nos deixou em polvorosa: mais um irmãozinho ia nascer! Como eu já tinha 12 anos, esperei ansiosamente a chegada dele. E em julho ele chegou! Mamãe não quis ir para o hospital e foi auxiliada por D. Noêmia Quaresma, uma parteira muito experiente. Ele era um bebê muito bonito. Como curti esse irmãozinho! Acho que para mim ele era um boneco, eu gostava de ficar por perto e cuidar dele.

Como ele fazia sucesso! Tínhamos uma pessoa muito querida que trabalhava em casa, chamada Benedita (Dita). Na cozinha, havia um quadrado com um cavalinho de madeira dentro, bola e outros brinquedos. Sérgio não se importava de ficar lá um pouco, olhando a Dita fazer o almoço. Quando ele se cansava de ficar no quadrado, subia no cavalinho, estendia os bracinhos e dizia: _ Pega o nenê, Dita!

Ao lado de casa morava uma família também muito querida. O filho mais velho era médico, e quando o Sérgio ficava doente ia até a janela e chamava: _ Doutor, nenê tá dodói! E não é que o médico atendia? Logo entrava em casa para examinar o pacientezinho.

A mãe dele, D. Rosa, sempre nos mandava um pedaço de bolo, uma tigelinha de arroz doce ou qualquer outro quitute que fazia. Gente muito boa e amiga. Sempre trataram todos nós, mas especialmente o Sérgio, com muito carinho, como se fosse o neto que não tiveram.

O Joaquim, marido da Dita, levava o Sérgio para pescar, para passear de charrete, onde quer que seus afazeres o levassem... A Dita cozinhava muito bem e sempre fazia, além do trivial variado no almoço, coisas saborosas para o lanche da tarde, como pastéis, pamonha, doce de abóbora, de leite, cocada e muitos outros quitutes. Com minha mãe aprendeu também a fazer bolos, tortas de maçã e de limão, nossas preferidas.

Lembro com muita saudade da casa onde moramos na Avenida D. Gertrudes, que tinha um quintal grande e um pomar que se estendia quase até a próxima rua. Lá havia muitas frutas: laranjas, limões, maçãs pequenas e ácidas, nêsperas, uvas brancas, romãs, abacates... Todos nós gostávamos de brincar no quintal, de subir nas árvores e colher seus doces frutos.

Apesar de termos nos mudado de lá há tantos anos, primeiro para São Paulo, depois para Campinas, nunca vou me esquecer da Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos.


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