quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Um Lindo Jardim


Tive o privilégio de crescer com um jardim florido sempre trazendo alegria à minha vida. Minha avó Elizabeth tinha o “dedo verde”, um jeito todo especial para cultivar plantas. Quando veio para o Brasil, em 1907, as coisas eram bem diferentes e as pessoas tinham que saber fazer quase tudo, já que nem sempre era fácil encontrar quem ajudasse. Mas ela, como filha de fazendeiro, gostava mesmo de plantar.

O jardim da casa de minha avó sempre tinha muitas flores, orquídeas na parede, um gramado lindo e muitas árvores. Logo ao lado da porta da cozinha havia um lindo limoeiro, com limões grandes e amarelos que ela usava para fazer limonada e tortas de limão deliciosas. Ela havia trazido a muda dos EUA, quando ainda era permitido fazer isso. Infelizmente, a casa foi alugada durante algum tempo e o inquilino logo cortou o limoeiro. Que tristeza!

Minha avó também gostava de plantar legumes e verduras, que servia no almoço, como boa vegetariana que era. Ainda me lembro como era saborosa a comida que ela preparava. Nos fundos do quintal ela plantava uvas, cuidava das parreiras, colhia os frutos com os quais preparava geleias e sucos. O suco era feito com o maior esmero e servido na Santa Ceia da Igreja Metodista, onde meu avô era pastor. Mas ela sempre reservava algumas garrafas para os netos tomarem junto com os “cookies” que ela não deixava faltar no bujãozinho de ágata cinza, decorado com filetes brancos e dourados.

Ao lado da casa, ela cultivava lindas flores roxas, chamadas agapanto. Não tenho mais agapantos em meu jardim, mas ainda tenho roseiras e irises que minha mãe plantou. Ela também tinha o famoso “dedo verde”, que infelizmente não herdei... Mas ainda cá estão o ipê amarelo, que todo ano nos brinda com um buquê maravilhoso, e uma roseira que floresce com lindas rosas vermelhas, que consegui reproduzir a partir de uma das que minha mãe plantou e que não está mais aqui.



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