Tive
o privilégio de crescer com um jardim florido sempre trazendo
alegria à minha vida. Minha avó Elizabeth tinha o “dedo verde”,
um jeito todo especial para cultivar plantas. Quando veio para o
Brasil, em 1907, as coisas eram bem diferentes e as pessoas tinham
que saber fazer quase tudo, já que nem sempre era fácil encontrar
quem ajudasse. Mas ela, como filha de fazendeiro, gostava mesmo de
plantar.
O
jardim da casa de minha avó sempre tinha muitas flores, orquídeas
na parede, um gramado lindo e muitas árvores. Logo ao lado da porta
da cozinha havia um lindo limoeiro, com limões grandes e amarelos
que ela usava para fazer limonada e tortas de limão deliciosas. Ela
havia trazido a muda dos EUA, quando ainda era permitido fazer isso.
Infelizmente, a casa foi alugada durante algum tempo e o inquilino
logo cortou o limoeiro. Que tristeza!
Minha
avó também gostava de plantar legumes e verduras, que servia no almoço,
como boa vegetariana que era. Ainda me lembro como era saborosa a
comida que ela preparava. Nos fundos do quintal ela plantava uvas,
cuidava das parreiras, colhia os frutos com os quais preparava
geleias e sucos. O suco era feito com o maior esmero e servido na
Santa Ceia da Igreja Metodista, onde meu avô era pastor. Mas ela
sempre reservava algumas garrafas para os netos tomarem junto com os
“cookies” que ela não deixava faltar no bujãozinho de ágata
cinza, decorado com filetes brancos e dourados.
Ao
lado da casa, ela cultivava lindas flores roxas, chamadas agapanto.
Não tenho mais agapantos em meu jardim, mas ainda tenho roseiras e
irises que minha mãe plantou. Ela também tinha o famoso “dedo
verde”, que infelizmente não herdei... Mas ainda cá estão o ipê
amarelo, que todo ano nos brinda com um buquê maravilhoso, e uma
roseira que floresce com lindas rosas vermelhas, que consegui
reproduzir a partir de uma das que minha mãe plantou e que não está
mais aqui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário